Infra-estrutura e comércio exterior PDF Imprimir E-mail
Sex, 26 de Junho de 2009 11:47

Comercializar produtos no exterior é uma atividade essencialmente competitiva, à medida que sempre cabe ao importador buscar alternativas mais atrativas de qualidade e preço. Ofertar produtos de boa qualidade é atribuição do empresário exportador que, para isso, deve usar boa tecnologia e bons sistemas de gestão. Mas produzir a custos competitivos não depende apenas dele, uma vez que os chamados custos sistêmicos variam em função da ação do governo e de fatores externos à fábrica. Aqui, a infra-estrutura é um destaque.

Desde a constituição de 1988, o Brasil passou a investir menos em infra-estrutura, sem avaliar as conseqüências futuras. Hoje, está pagando um preço cuja maior parte sai do bolso dos empresários. Já chegamos a investir anualmente cerca de 5% do PIB na infra-estrutura nacional, mas agora, mesmo com o PAC, estamos no entorno dos 2,5%, divididos, grosso modo, em partes iguais entre governo e setor privado. Precisamos, no mínimo, dobrar esse valor, embora haja países que estejam investindo muito mais. Segundo estudos do Banco Mundial, se quiséssemos atingir a qualidade da atual infra-estrutura da Coréia, por exemplo, deveríamos investir algo como 9% do PIB a cada ano.

O PAC é um programa concebido na direção correta, que não resolve. Não só porque é insuficiente, mas ainda porque o sistema de gestão estatal não tem sido capaz de aplicar, a cada ano, os recursos colocados a sua disposição.

O comércio exterior exige não só uma boa infra-estrutura, mas principalmente um sistema logístico de transporte moderno. Assim, além da execução do investimento nas obras, é preciso ajustar a operação dos diferentes sistemas de transporte, para lhes dar melhor funcionalidade. Ou seja, explorar o melhor de cada modo de transporte, no instante certo, para alcançar maior produtividade e alto desempenho do conjunto.

Colocar um produto saído das fábricas ou do campo no porto exportador exige uma análise permanente de custos envolvidos na trajetória das transferências. A falta de intervenção correta e a tempo é paga pelos produtores nacionais, pois seu preço no pátio do importador no exterior, como sabido, é fixado pelo mercado.

Soubemos encontrar boa solução para a importante área das telecomunicações, que ainda tem pontos a melhorar, mas é dinâmica e competitiva. A área da energia elétrica tem assegurado a oferta necessária, ainda que tenhamos andado nesses últimos anos sobre um fio de lâmina de faca, pagando custos altos pelos encargos criados pelo governo.

No restante, não estamos bem. Faltam estradas de boa qualidade, nossas ferrovias sofrem com os inúmeros obstáculos existentes na via permanente, e os trilhos não chegam em muitas das áreas de produção no interior do país. Nossos rios não são utilizados adequadamente como vias de transporte de baixo custo. Nosso sistema portuário público está burocratizado e ultrapassado, por ter permanecido descuidado por longos anos, e só agora, com a Secretaria dos Portos, alguns problemas começam a ser lentamente eliminados, como no caso da dragagem.

O setor privado pode contribuir fortemente para a solução dessas questões, mas tem sido pouco acionado, até porque alguns pontos importantes para alavancar sua melhor participação têm sido negligenciados, como no caso de aprovação da lei das agências reguladoras e de alguns marcos regulatórios. Convocado e estimulado, certamente o setor privado reunirá meios que poderão ajudar, em muito, a superar o atraso.

Se quisermos de fato liberar as forças produtivas deste país para uma ação mais efetiva na ampliação do comércio exterior, temos de melhorar substancialmente a atenção com a nossa infra-estrutura.

Última atualização ( Seg, 29 de Junho de 2009 14:50 )