| "Espírito Santo: os Desafios para a Consolidação do Desenvolvimento" |
Paulo Hartung Governador do ES O Espírito Santo vive um bom momento em seus aspectos econômicos e sociais, impulsionado pelo petróleo e gás, siderurgia, comércio exterior e dinamização de seus arranjos produtivos. Mas nesse novo modelo de desenvolvimento, a “desconcentração” é fundamental, a sustentabilidade ambiental é premissa básica, a educação é o melhor caminho. PAC, aeroporto, infra-estrutura e capacitação também foram temas abordados nesta entrevista com o governador do estado do Espírito Santo, Paulo Hartung. Que medidas podem ser aplicadas pelo governo para melhorar as regiões com baixo IDH e renda per capita? A partir de 2003, implantamos um novo modelo de desenvolvimento socialmente inclusivo, geograficamente desconcentrado e ambientalmente Também temos política de inclusão social produtiva, como o "Nosso Crédito" e o "Fundo para a Redução das Desigualdades Regionais", sem falar em obras e serviços públicos básicos, como educação, saúde e infra-estrutura, que estão sendo qualificados e ampliados em toda a terra capixaba. Resta dizer que o investimento na construção de uma prosperidade inclusiva e sustentada já tem produzido resultados inéditos em termos capixabas e nacionais. Mesmo conscientes dos desafios que temos, citando a última PNAD do IBGE, podemos falar de índices extraordinários na área social. Estamos registrando taxas bem acima da média no que diz respeito à inclusão social e à redução da pobreza. Segundo o IBGE, entre 2003 e 2007, a renda domiciliar per capita cresceu, em nosso estado, 27%, contra 23% na média do país. A desigualdade medida pelo índice de Gini declinou 5,5% no mesmo período, também acima do registrado no país (4,9%). Como conseqüência, no ranking dos estados com menor índice de pobreza, o Espírito Santo subiu do nono lugar em 2003 para o terceiro lugar em 2007, ficando atrás apenas de Santa Catarina e São Paulo. Entre 2003 e 2007, o Espírito Santo liderou a redução da pobreza no país. A taxa de pobreza, que era de 25,2% em 2003, caiu para 13,3% em 2007. Nesse mesmo período, a extrema pobreza foi reduzida de 7,8% para 3,5%. O crescimento da classe média foi notável: 48% no Espírito Santo contra 35% no Brasil. Em 2007, a classe média já representava mais da metade Diante do crescimento visto nas áreas de siderurgia e de petróleo e gás, qual a importância desses segmentos para a economia do Espírito Santo? A expansão da siderurgia e a constituição do negócio de petróleo e gás são duas das alavancas fundamentais no terceiro ciclo histórico de nossa economia, iniciado em 2003. Só para citar alguns exemplos: somos o maior exportador de pellets do mundo, e o segundo em produção de petróleo no Brasil. Em 2009, nós nos tornaremos o principal fornecedor de gás do país, com 20 milhões de metros cúbicos por dia. O que o governo tem planejado para minimizar os impactos ambientais decorrentes da atuação das grandes empresas no estado? O desenvolvimento não pode ocorrer a qualquer custo. A sustentabilidade ambiental é premissa fundamental de nosso trabalho. Queremos atrair novos investimentos, queremos ampliação de negócios, mas com respeito às leis ambientais e com racionalidade. Essa é uma das premissas do modelo de desenvolvimento que implementamos em 2003. Para garantir que a questão ambiental seja tratada de forma transparente, com agilidade e eqüidade, temos investido continuadamente na modernização da legislação e na melhoria de condições de trabalho de nossos técnicos. Informação, agilidade, transparência e clareza de propósitos são ferramentas essenciais para se alcançar o equilíbrio nas questões relacionadas ao licenciamento e à fiscalização ambiental. O que há de novo, incluído nas políticas de governo, para melhorar a infra-estrutura local mediante o crescimento? No que cabe ao governo estadual, temos feito investimentos em infra-estrutura em todo o estado, na Grande Vitória e no interior. Temos o maior programa de construção, reparo e manutenção de vias que este estado já viu. Também temos atuado com o governo federal e com os governos de estados vizinhos no sentido de viabilizar melhorias na logística que serve o estado. A questão do aeroporto, por exemplo, tem recebido nossa atenção, mas, em alguns casos - como este - temos limites. A iniciativa privada é outra alternativa que estamos buscando na ampliação de nosso sistema logístico, incluindo ferrovias e terminais portuários. O setor de vestuário também tem mostrado um relevante crescimento, com uma produção anual em torno dos 80 milhões de peças e participação média de 2% do mercado nacional. O que esperar da moda capixaba em um futuro próximo? O setor de vestuário é dos mais dinâmicos e promissores de nossa economia. É ousado e investe em inovação, tecnologia e criação. Tem tudo para continuar se expandindo no país e no mundo. A reforma tributária e da previdência e outras medidas que garantem os direitos dos cidadãos assegurados por lei são de extrema importância para o crescimento do país. Quanto ao Espírito Santo, o que é preciso ser observado de imediato para o fortalecimento da economia e melhoria da qualidade de vida da população? O Espírito Santo tem arranjos produtivos importantes à pauta da economia global hoje. Tem um povo trabalhador e um governo transparente, com estabilidade político-institucional. Isso é o que podemos chamar de ativos diferenciados, importantes para a atração e expansão de negócios. Temos pontuado alguns dos maiores índices de crescimento industrial. Segundo o IBGE, no primeiro semestre de 2008, em comparação com igual período de 2007, a indústria capixaba foi a que mais cresceu: 16,1%. No mesmo período, o indicador nacional foi de 6,2%. Seguindo a premissa de que o governo existe para promover a cidadania, e motivados pela construção da igualdade de oportunidades, estamos trabalhando para que o cenário de pujança econômica signifique melhores condições de vida para todos os capixabas. E, para chegarmos lá, a educação é o melhor caminho. Por isso, ela tem sido, desde 2003, nossa prioridade. Hoje, o Espírito Santo é grande produtor e exportador de commodities, mas queremos muito mais. Queremos que o Espírito Santo se torne um celeiro e um exportador de saber, conhecimento e tecnologia. Estamos investindo em capital humano. A educação é o caminho e o desafio. Em que as obras trazidas pelo PAC influenciarão diretamente a economia e o desenvolvimento do estado? As obras, sejam públicas ou privadas, sempre somam na dinamização da economia, principalmente se absorvem mão-de-obra e fornecedores locais, que é o que sempre buscamos. O principal investimento do PAC no Espírito Santo é o aeroporto de Vitória, cujas obras estão paralisadas. Como se trata de uma obra federal, o governo do estado vem tentando, com a bancada federal, resolver esse impasse, inclusive com o envolvimento do presidente Lula. Numa escala de zero a dez, como o senhor avalia o desenvolvimento do estado, e o que se pode esperar para os próximos anos? A melhor avaliação, a mais justa e a única que serve de algum parâmetro no caso de gestores públicos é a avaliação da população, que elege seus representantes, delegando-lhes poderes para constituir o bem comum. Até aqui, o povo capixaba tem nos dado um extraordinário respaldo e um reconhecimento que me emociona. Além disso, um bom teste de verificação são as conquistas no dia-a-dia da população, traduzidos em números e indicadores. Os que citei acima, entre outros, mostram o resultado espetacular do mutirão que estamos liderando desde 2003. A reconstrução e a superação capixabas são uma conquista coletiva, de poderes e instituições públicas e sociedade civil, enfim, dos capixabas de bem. Quanto ao futuro, devo dizer que os dias que virão são plantados no presente. Nesse sentido, estamos preparando o estado para seguir firme e forte na rota do desenvolvimento sustentável e com igualdade de oportunidades. Tenho fé no futuro capixaba, até porque nos últimos anos temos mostrado do que somos capazes. A superação é uma marca do povo capixaba. As áreas de educação técnica e tecnológica estão fortemente atreladas às demandas de empregos. Como o senhor vê os profissionais do futuro? Conforme salientei, a educação é tudo. O saber e o conhecimento são os principais ativos de uma prosperidade inclusiva e sustentável. Estamos O que o senhor espera do estado após a ampliação do aeroporto de Vitória? Qual o grau de importância dessa obra para o desenvolvimento do turismo de negócios? Essa obra é fundamental, estratégica, para a expansão de nossa economia. É inaceitável a situação a que chegamos. Juntamente com a bancada federal, temos envidado todos os esforços possíveis para viabilizar essa obra do governo federal em nosso estado. Com possibilidade da privatização, passamos a fazer junções ao governo do presidente Lula para que se estude mais essa alternativa de realização do novo aeroporto de Vitória. Quanto ao setor energético, em que precisamos avançar para chegarmos à auto-suficiência? O crescimento demanda energia. Mas o crescimento em bases sustentáveis só comporta energias limpas ou renováveis. É nessa direção que temos trabalhado, e já temos boas conquistas. Somos o maior fornecedor de gás natural ao país. No último leilão de energia, o Espírito Santo foi contemplado com mais sete usinas termelétricas, sendo quatro a gás natural e três a óleo combustível. Junto com as duas novas usinas já contratadas, uma a óleo e outra a gás, teremos uma oferta de energia de 2002 MW, triplicando a oferta atual de energia. Sem dúvida, isso representa mais um diferencial para a atração de novos investimentos. Com a elaboração do Plano Estratégico Espírito Santo 2025, como o senhor avalia as medidas voltadas à inclusão social correlacionadas ao desenvolvimento econômico? O desenvolvimento econômico só tem sentido se for socialmente inclusivo. Uma sociedade de segregados é uma sociedade que não pode ser reconhecida como civilizada. A segregação e os privilégios constituem armadilhas que implodem um projeto de convivência harmoniosa entre É prioridade de nosso governo garantir um desenvolvimento socialmente inclusivo, o que é uma das premissas de sua sustentabilidade, a nosso ver. O Espírito Santo 2025, que escrevemos junto com a sociedade civil, especialmente o Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação, inclui esse prérequisito.
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Segundo Receita Operacional Bruta no Espírito Santo
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