Empreendedorismo corporativo: a base da inovação PDF Imprimir E-mail
Ter, 30 de Junho de 2009 21:24

Quando discutimos os dilemas que envolvem o empreendedorismo no mundo atual, é natural que abordemos a questão da inovação como diferencial para os negócios. E não se trata apenas de inovar. Além de criar negócios inovadores, os empreendedores precisam implementar, desde o início, uma nova visão que permeie a inovação em todos os níveis, não apenas no que se refere aos produtos e serviços tecnologicamente diferenciados mas, principalmente, em um modelo de negócios que possibilite o rápido crescimento de suas empresas e o desenvolvimento das pessoas que fazem parte do seu time empreendedor.

Esse é o dilema atualmente enfrentado por empresas já estabelecidas, que passaram pela fase inicial (start-up) e, em muitos casos, acabam por não se desenvolver com mais velocidade por deixar de entender a inovação como uma prática sistêmica. Porém, implementar e praticar uma visão empreendedora não é tão simples e nem tão fácil.

Se analisarmos o histórico recente das técnicas de gestão que têm sido implementadas pelas empresas nos últimos vinte anos, não é difícil identificar diferenças claras entre o foco adotado nos anos 90 e o que se busca atualmente. Naquele momento, as empresas encontravam-se, em grande parte, com bastante espaço para redução de custos e, assim, implementaram várias ações para eliminar desperdícios e otimizar seus processos e a estrutura organizacional. Foi o momento áureo da reengenharia, da terceirização e do downsizing. Algumas empresas que implementaram essas ações conseguiram reduções drásticas de custo no curto prazo, mas não conseguiram manter o desempenho de forma contínua, o que já era esperado.

Porém, o dilema do crescimento sempre existiu e continuou a pressionar tais organizações por resultados mais convincentes. Revisões nos processos e implementação maciça de tecnologia via sistemas de gestão foram a nova tendência. Surgiram então os benchmarkings de cada setor. Quem não seguiu essas regras ou tendências ficou pelo caminho.

Mas, e agora? Qual o caminho a seguir? Como construir uma empresa antenada com o que será o modelo de gestão dos vencedores?

Se prestarmos atenção, poderemos observar que o foco em redução de custos não está mais em discussão; pelo contrário, é lição de casa. E, ainda, os resultados que serão obtidos com foco em redução de custos não cumprirão as metas de crescimento das organizações, a não ser no curto prazo. Há uma necessidade evidente de se aumentarem as fontes de receita via novos produtos, entrada em novos mercados, ou ambos. Isso não é simples, pois exige da organização um planejamento de longo prazo com previsão de lançamentos periódicos, sem esquecer a concorrência e a busca de resultados de curto prazo que, afinal, sustentam a organização.

Simplesmente entrar em novos mercados ou lançar novos produtos não basta. É preciso que isso também ocorra de forma inovadora. Inovação é a palavra do momento. Empresas que não priorizarem a inovação em seu modelo de negócios não conseguirão sobreviver no longo prazo. Mas a pergunta é recorrente: como fazer com que a inovação se torne sistêmica, sempre presente nas organizações? Através da implementação do empreendedorismo corporativo – na verdade, uma proposta de continuidade do processo empreendedor mesmo depois da criação da empresa. Trata-se de uma opção estratégica que deve ser abraçada pelos executivos à frente de grandes negócios e focados no crescimento contínuo.

Com isso, estimula-se o surgimento de novos empreendedores na empresa, os chamados empreendedores corporativos, que são os responsáveis por identificar as grandes oportunidades no mercado e preparar a empresa para capitalizar sobre elas. Para isso, a organização precisa preparar o “pano de fundo”, criando as condições necessárias para que todos empreendam, em todos os níveis. Isso ocorre a partir de uma visão de negócios alicerçada em valores bem definidos e que priorizem o trabalho em equipe e a meritocracia.

Há a necessidade de se institucionalizar o reconhecimento das pessoas quando elas contribuem com ações agregadoras. E, ainda, que se recompensem essas pessoas, que haja mais tolerância a falhas e a aceitação do risco. Sem essa nova visão de negócios, sua empresa provavelmente não estará mais aqui para liderar os novos processos de mudança em seu mercado.

A inovação só se tornará sistêmica em seu negócio se você investir em pessoas empreendedoras como você. Essa é a essência do empreendedorismo inovador, algo ainda mais importante do que a invenção de soluções criativas que, na maioria dos casos, não evoluem por falta de gestão e gente devidamente motivada para fazer acontecer.

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