| O Espírito Santo hoje e do futuro |
Lucas Izoton Vieira Presidente do Sistema Findes/Cindes e presidente do Conselho Temático da Micro e Pequena Empresa da CNI Não estamos na Ásia, mas nossa indústria está crescendo mais que a da China e a da Índia. Os números, para isso, não mentem. No primeiro semestre de 2008, de acordo com o IBGE, o crescimento industrial capixaba registrou uma expansão de 16,1%, dado muito acima da média brasileira, que somou 6,1%. A tendência é de que nosso estado continue, nos próximos anos, a ser um grande destaque da economia brasileira. Nesse cenário de futuro, acredito que o crescimento mundial continuará em alta moderada, mas não necessariamente nos países que compõem o tradicional G-8 e, sim, no grupo de nações do BRICAMI - ou seja, o BRIC, que os conceituados economistas formaram, e no novíssimo AMI, que acredito ter incluído. Na verdade, BRICAMI é o grupo dos sete países formados por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, México e Indonésia que, dentro de 20 a 30 anos, estarão, certamente, entre as 15 maiores nações do mundo. E onde estará inserida a indústria capixaba nesse contexto econômico? Em primeiro lugar, costumo fazer o mapa de nosso estado tendo as seguintes divisas: ao norte, a Bahia; a oeste, Minas Gerais; ao sul, Rio de Janeiro; e, a leste, onde temos o Oceano Atlântico, vejo a China, possivelmente a maior fábrica do mundo, e a Índia, que será a grande prestadora de serviço do planeta.Como estado mais globalizado do país, pois seu comércio internacional (a soma das importações com as exportações) representa praticamente metade do Produto Interno Bruto, o Espírito Santo tem de estar incluído no contexto internacional. Setores como gás, petróleo, mineração, siderurgia, celulose - as grandes commodities - continuarão crescendo muito, principalmente porque o mundo precisa desses produtos. Mesmo que não tenham mais crescimento como ocorreram no passado, ou estabilização, as empresas desses segmentos serão altamente competitivas. Outro setor que será destaque internacional é o de rochas ornamentais, apesar de a crise imobiliária americana estar nos trazendo problemas. A construção civil e o segmento metalmecânico também têm garantia de crescimento para a próxima década. Nessa mesma trajetória está o café, principalmente nas exportações, que gera quase 400 mil empregos no estado. Ele continuará tendo papel importante; afinal, somos o segundo maior produtor de arábica e o primeiro de conilon do país. Infelizmente, vejo dificuldade em sua industrialização. Alguns setores, porém, necessitam de cuidados especiais, mas estamos trabalhando para isso, visando à redução das diferenças geográficas, geração de postos de trabalho e ao aumento da competitividade: é o caso do moveleiro, têxtil, confecções, calçados, uma parte de alimentos e outros. Se houver disposição do governo estadual e das administrações municipais, entidades e lideranças empresariais, certamente faremos do limão uma limonada, e poderemos continuar comemorando, nas próximas décadas, um grande destaque para a indústria capixaba. Acreditamos que, se todos nós juntos remarmos na mesma direção, certamente teremos um futuro tão brilhante quanto nosso presente neste estado, que tem atraído muitas pessoas para viver, visitar e investir. Dizem que Deus é brasileiro, e até concordo, mas, para mim, ele nasceu mesmo no Espírito Santo.
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Segundo Receita Operacional Bruta no Espírito Santo
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